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Posted on July 5th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Divagações, Blues, Pessoal.

Quem me dera conseguir escrever à velocidade com que penso.

Era UMA vez...

O sedentário caminho para a morte.

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Posted on July 1st, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Blues, Pessoas.

Deplorável não é adjectivo suficiente para descrever o aspecto daquele personagem. A barriga cresceu de tal forma que a velha camisa de ganga que traz por baixo das calças já não a consegue segurar. O peito ornamentado por um fio de ouro e um matagal à Tony Ramos dá-lhe o aspecto clássico de bronco em que ele, lentamente, se foi transformando. A barba já leva semanas sem ver navalha e o cabelo tanto sem ver pente ou tesoura. Os olhos carregam o pesado sabor da derrota aceitada. Lê-se neles uma alma que desistiu de tudo. Até mesmo de lavar, ou, pelo menos, trocar as calças cobertas de pó, lama, e tudo o mais que se foi agarrando ao velho tecido de ganga.

Ele é o corpo desprezado, a alma estralhaçada de quem esteve  em tempos destinado à grandeza mas que não se conseguiu levantar depois da derradeira vez que foi derrubado.

Não conseguiu, ou fartou-se de tentar. Simplesmente desistiu de tentar, o que é bem mais devastador do que não conseguir.

He’s a loser baby, so why don’t you kill him?

Não precisas. Ele já está morto por dentro.

E por fora, a julgar pelo crescente tamanho da barriga e o decrescente ritmo da respiração, um ataque cardíaco tratará disso em breve.

Eram 2 vezes...

Homem detestável.

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Posted on July 1st, 2008 by Tim_booth. Filed in Pontos de vista, Observações.

Não quero ser pretencioso. E, no entanto, sou-o.

Não quero ser elitista. Mas quero fazer parte da elite.

Não quero ser snob. Mas há gente que, mais do que pena, me enoja.

Tal como eu me enojo a mim próprio por ser estas coisas todas que não quero ser.

Cada vez mais a verdade torna-se clara para mim: sou uma pessoa horrível com a capacidade fantástica de o esconder na perfeição.

De certa forma, já é algo de que me possa orgulhar.

Eram zero vezes...

Super Blog Awards

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Posted on July 1st, 2008 by Tim_booth. Filed in Notícias.

As votações finalmente começaram. Se genuinamente gostaram do que leram neste blog, por favor cliquem no ícone que está no topo da página, no lado direito, e votem aqui no rapaz.

Eram zero vezes...

Heaven knows I’m miserable now

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Posted on June 5th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Blues, English, Moods, Inspired.

Once, I was happy. I was really happy. My life had meaning. My future looked bright. Everything was in it’s place. I had no doubts about who I was, no doubts about who I wanted to be. I was like a drunk man leaving a bar, anxious to get some sleep, happy to be awake in the next morning. I was happy in the haze of a drunken hour.
But then I woke up. The happiness went away with the drunkness. It all seemed so terrible from that point of view. It was like my whole world had come to an end. I had no more certainties, I had no more hope. It seemed like I was looking for a job, and then I found a job. But I hated that job, and I couldn’t get out. Desperation, it’s what it is.
And heaven knows I’m miserable now.

Mood by Heaven knows I’m miserable now, by The Smiths, as sang by Tim Booth, the original one, in here.

Era UMA vez...

Absolute silence.

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Posted on June 5th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações.

O silêncio nunca é total. É, como dizem os James*, ensurdecedor. Se nada mais houvesse a não ser a ausência de som, o ruído do trabalhar constante do cérebro humano abafa a falta de barulho. Como devia ser bom parar de pensar de vez em quando. Simplesmente desligar, esquecer a existência por alguns segundos. Apreciar o silêncio. Apreciar sem pensar. Simplesmente parar.

Mas o silêncio não existe. É utópico. É como a verdade absoluta. É como a paz mundial. Toda a gente procura, toda a gente diz ser possível, nunca ninguém viu acontecer ou experimentou. É um sonho daqueles não sonhados. O silêncio é sempre interrompido pelo fervilhar da vida que não pára. Eu paro. Tu páras. Ela não. Podemos ambos ficar parados a olhar para ela, à espera que passe, na vã tentativa de assim conseguirmos penetrar na ausência de som material ou mental, mas isso de nada vale. É isso mesmo, uma vã tentativa.

E na tentativa de calar o mundo fechamos os ouvidos. Tu e eu, ignoramos os avisos sonoros. Procuramos aquele pedaço de ausência que sabemos que nunca vamos conseguir. Queremos o sonho não sonhado. Queremos a utopia. Queremos o completo vazio de ruído. Aquilo que nos dicionários vem descrito como silêncio. Algo que é absolutamente impossível de encontrar.

E, se não o fosse, então não valia a pena procurá-lo.

‘The silence is deafning’, Say Something by James

Eram zero vezes...

Desafio.

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Posted on June 4th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Divagações, Moleskine.

O monte de livros amontoado em cima da secretária fita-me. Olha para mim como que a desafiar-me. É quase como se me perguntasse: “Porque estamos aqui parados? Porque insistes em fazer de nós desperdício de dinheiro?”. Aquelas frases e palavras que eles encerram atiram-se a mim. Saltam das páginas, deixam os capítulos para me apoquentarem.

E eu permaneço quieto, indefeso até, perante a força das palavras. Algumas delas têm mesmo a força para me derrubar da cadeira onde confortavelmente repouso, qual Salazar, deitar-me ao chão com a força que escondem. É preciso ser capaz de permanecer imóvelmente broncos para que os golpes das letras não nos atinjam.

Rendo-me àquele pequeno grande que olha para mim com desdém. Ele não precisa de que o leia. Não precisa de ninguém. Existe só porque sim. Porque era grande demais para não ter sido criado. E isso só faz-me desejá-lo ainda mais.

Desfolho-o um pouco a medo. Amedrontado deixo-me tomar por alguns parágrafos. As frases começam a tomar conta de mim. Cedo carregam-me em ombros e fazem-me deixar este escritório sujo para um sítio que nunca conheci. É bom sair derrotado de vez em quando.

Eram zero vezes...

O acordo.

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Posted on June 2nd, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Pontos de vista.

Iniciei no outro blog uma discussão sobre o acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Passem por lá e dêem a vossa opinião. A minha está por lá. Clicar aqui.

Eram zero vezes...

Estrangeiro.

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Posted on May 25th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Pontos de vista, Moleskine, Pessoas.

Estou tão longe de casa. Isto não sou eu. Este mundo não é o meu. Vim aqui parar não sei como para fazer não sei o quê. Não falo esta língua, não conheço esta cultura, não practico esta religião. O que é que eu estou aqui a fazer? Estou a enterrar-me viva. Estou a criar rios de lágrimas. Estou onde não pertenço porque não pertenço a lado nenhum.

Eram zero vezes...

A velha Senhora.

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Posted on May 16th, 2008 by Tim_booth. Filed in Porto, Moleskine, Viagens, Locais.

Está velha a velha dama de ferro. A ferrugem da idade corrói-lhe as goelas e manter-se em pé está cada vez a tornar-se numa tarefa mais difícil. Ainda é admirada por muitos pela gravidade da sua presença, ainda aparece nos livros como um marco do seu tempo.

Eu ainda lhe presto vassalagem, ainda me curvo em vénia ao passar. A velha dama agradece sem mostrar fraqueza. Responde-me com o respeito e o silêncio que sempre me respondeu, mas eu vejo para além disso e encontro o suave arfar do agradecimento de não ser esquecida.

Já não lhe dão uso. Agora é peça de exposição imóvel. Está ali para dizer que um dia fez falta, está lá para as crianças ficarem boquiabertas com a idadade da Senhora.

Eu sorrio com essa reacção. E fico também boquiaberto com a velha Dama. E continuo a prestar-lhe vassalagem, como ela sempre se habituou.

Eram zero vezes...

À mão.

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Posted on May 16th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Moleskine.

Meu Deus, como gosto de escrever! Adoro. Faz-me bem ao pulso. Adoro escrever à mão, ver gatafunhos a preto sobre papel branco ou amarelado, quase que parece arte, e quase que parece que o que tenho a escrever é algo que realmente merece ser lido.

Sabe bem. E eu gosto.

Eram zero vezes...

Quero palco.

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Posted on May 16th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Blues, Pessoal, Moleskine.

Eu quero palco. Quero aplausos. Quero ser escutado. Quero o sabor das cordas metálicas nos meus dedos. Quero a rouquidão de uma noite de trabalho na minha garganta. Quero luzes, fumo e bebida, ambientes nocturnos, salas mal iluminadas, tosse e crítica, quero o copo de whiskey ao meu lado e a garrafa de cerveja na assistência.

Quero ver sorrisos e gritos e uivos, acenares de cabeça e batidas de pé ritmadas.

Quero tocar. Quero ser ouvido.

Era UMA vez...

Paixões Platónicas

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Posted on May 16th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Pessoal, Amor, Moleskine.

Paixões platónicas. Todos as experimentamos, alguns de nós mantêm ainda o secreto amor bem escondido e bem alimentado. Umas vezes são as coisas do momento, outras as longas histórias que se confundem com o tempo e a vida.

São com actrizes, cantoras e até com aquela professora toda gira que tivemos há uns anos atrás, no secundário, apesar de tanto tempo depois a rapariga já deve pesar três vezes mais e andar com um atrelado de filhos. Mas não interessa porque continua a ser aquela mulher inacessível que se guarda nos sítios secretos da cabeça.

Deve ser isso que atrai um amor estrelar: a inacessibilidade. Ficamos fascinados com aquilo que não podemos ou não conseguimos ter. Somos crianças portanto. Crianças de três anos que desatam aos berros quando vêem um brinquedo demasiado caro para o salário parental.

Só interessa aquilo que não se consegue obter, deve ser por isso que insistimos em alimentar estas paixões mortas à nascença, é por isso que vamos a todos os concertos, como se ela se lembrasse da nossa cara, e, no caso de se recordar, não pensar de nós como um temível stocker. É por isso que vemos todos os filmes e séries em que ela entrou, exaustiva e repetidamente, como se assim a ficassemos a conhecer melhor e fosse uma espécie de first date de um só sentido. E é por isso que insistimos em enviar repetidos e-mails para o antigo endereço da faculdade que aquela antiga estagiária teve em tempos, como se quisessemos ignorar saber que esse endereço está há muito desactivado e como se nos recusássemos a compreender que mesmo que por algum milagre ela conseguisse ler a carta insistente, o mais provável era ela nem sequer se lembrar que fomos o primeiro melhor aluno.

As paixões platónicas são assim mesmo, impossíveis, é assim que devem ser e é assim que as gostamos de manter. Como crianças crescidas que somos, sabemos perfeitamente que assim que agarrassemos aquele brinquedo ele ia perder toda e qualquer piada que julgavamos que tivesse.

A verdade é que temos perfeita consciência de que queremos manter as coisas de Platão assim mesmo e o que realmente nos delicia é lutar por algo que nunca vamos, nem queremos, ter.

Eram zero vezes...

A inocência da experiência.

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Posted on April 27th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Pontos de vista, Pessoal, Moleskine, Observações.

Com a idade a experiência transforma-se em inocência. Inocência destas gentes. Espanto, pasmo, awe dos simples. Ficam como burros que olham para palácios, para relembrar o adágio popular, quando se apercebem que não me conhecem, que não sou mais uma criança. Não lhes invejo a sensação. Não lhes invejo o tempo, não, não.

Há-de chegar também o meu, o tempo que vou perceber que já não é o meu. Vou passar de experiente a inocente, vou-me espantar com as maravilhas do mundo futuro que aí vem. Vou ser mais um burro a olhar para os palácios que se erguerão. E vou chorar quando perceber que o meu filho se tornou um homem e já não é a criança que criei.

Eram 2 vezes...

A mania.

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Posted on April 17th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Divagações, Pessoal, Moleskine, Observações.

De onde vem esta mania que os escritores têm de escrever sobre o quanto gostam de escrever?

Porque sentem eles necessidade de partilhar com os outros este prazer de desenhar letras?

Deve ser por se sentirem importantes.

Sim, deve ser isso.

*Positivamente.

*Roubado de O Delfim, José Cardoso Pires

Era UMA vez...

Há quanto tempo, Tempo.

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Posted on April 17th, 2008 by Tim_booth. Filed in Divagações, Moleskine, histórias.

O Tempo passa e eu deixo-o passar. Passa por mim e cumprimenta-me. “Olá Tempo, como estás?” respondo. Velho aliado este Tempo, pacificador das revoltas e desgostos. Com o tempo tudo passa e agradeço ao Tempo por isso.

“Amigo Tempo, que é feito de ti? Já não passavamos tempo juntos há algum tempo…”. “É verdade”, responde o velho amigo, “Já não te encontro aqui sozinho há muitos de mim. Como estás rapaz?”. O velho matreiro, sempre disposto a ajudar-me a passar por ele. “Cá se vai andando… Com o tempo tudo passa.”

“Então anda daí rapazola!” diz o  jovial velho Tempo, “Anda lá que se faz tarde e o tempo não espera pelo Tempo. Vamos passear os dois e tudo vai passar”.

Bom e velho Tempo. Cá nos encontramos outra vez.

Eram zero vezes...

Show Man

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Posted on April 17th, 2008 by Tim_booth. Filed in Blues, Moleskine, Pessoas, histórias.

As luzes. O palco. O público. Devora aquilo. São os alimentos do seu ego. E os aplausos? Meu Deus, os aplausos… se ele alguma vez teve sensação melhor, não se lembra. Bem, talvez um orgasmo que uma groupie lhe proporcionou uma vez…

Mas nada o faz sentir da mesma maneira que se sente quando está dentro do teatro, no palco, com as luzes e as atenções completamente voltadas para a pessoa que vestiu.

Nunca se leva a si para cima do palco. Nunca o conseguiria. Sempre foi anormalmente introvertido para um actor, por isso, de cada vez que subia ao palco deixava-se dominar por uma outra pessoa, aquela que era suposto o público ver. “Encarnava o personagem”, é o que dizem os seus colegas actores.

Só voltava a si no momento de agradecer. Aí, como sempre foi educado a agradecer os elogios, deixava a sua pessoa receber os  louros no palco, era a única outra maneira que tem de não se acagaçar com aquelas luzes todas.

Mas isso era  dantes. Agora? Agora o único aplauso que recebe é o do dono do café quando pede outro whiskey. Não voltou a entrar no teatro, não tem dinheiro. Os seus antigos colegas de estrelato fingem não o reconhecer quando o encontram na rua.

Já não vive. Não tem as luzes, nem o palco, nem o público. Já não se lembra do som dos aplausos, nem sabe o que é ter um ego. Por dentro, está morto.

Eram zero vezes...

Animal

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Posted on April 16th, 2008 by Tim_booth. Filed in Moleskine, Revoltas.

Sou um animal. Penso como um, ajo como um. Não há volta a dar-lhe, sou um animal. Doméstico no entanto, consigo estar na presença de humanos. Mas como animal que sou, os instintos básicos vencem-me sempre. E se não me fazem agir como um animal, fazem-me pensar como uma besta. Não sei que caracterização prefiro. Talvez nenhuma. Nem sempre gostamos do que somos.

E eu, sou um animal. Sexo e comida é o que preciso. Luto por isso, até à morte se for indispensável.  Ataco o pescoço de quem se puser entre mim e a carne que quero comer. Ou foder. Sou visceral. Digo e faço as coisas como têm de ser ditas ou feitas. E nisso orgulho-me da minha herança animal.

Sou feroz, raivoso ingrato. Faltam-me as listras para ser um tigre, a barbatana para ser um tubarão e o uivar para ser um lobo.

Sou incapaz de me controlar. Cada pedaço de carne que vejo é um pedaço de carne que quero ter. A todo o custo.

Para comer ou foder.

Eram zero vezes...

Definição

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Posted on April 15th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Divagações, Pessoal, Moleskine, Revoltas.

A eterna angústia de não poder ser o que sou mata-me. Tortura-me. Vicia-me.

Sim, vicia-me. Deixa-me neste estado de permanente artista torturado, este estado que todos os músicos, escritores, pintores, escultores, fotógrafos, actores dizem detestar, repito, todos dizem detestar, quando, na verdade, todos amam. Repito, todos amam.

Esta impossibilidade de ser o que amo é a droga que me permite fazer o que faço. É o doce remédio que me deixa socumbir à depressão e criar, inventar, escrever.

Claro, como todos, digo o mesmo, que detesto tudo isto. Claro que digo que quero sair deste instável estado, deste limbo infernal. A questão, não sendo questão, é que não quero. Repito, não quero. O que será de mim quando a minha definição deixar de existir?

Dizem-me: “Deixa-te de coisas, ninguém é tão unidimensional assim, ninguém se reduz a uma palavra.”

Talvez, mas eu refuto, se não se pode dizer numa palavra então é porque essa palavra ainda não foi criada.

Hey, talvez seja essa a minha função…

Eram zero vezes...

O fantasma

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Posted on April 15th, 2008 by Tim_booth. Filed in Escrita, Divagações, Blues, Pessoal, Saudade, Moleskine, Revoltas.

É a minha vontade mais antiga. O meu desejo mais enterrado. Aquilo que realmente sempre quis fazer. Desde aquele pequeno texto que uma vez escrevi, ainda criança, ingénuo aluno do ensino primário, sobre o amor escondido que uma flor pode ter, não sei a que propósito já, mas, eu, que segundo me lembro já tinha provado desse amor (sempre fui um precoce), senti-me explodir de orgulho quando a minha professora foi mostrar às outras professoras, senhoras da sabedoria naquele tempo, o talento do petiz.

Desde esse fatídico dia, há mais tempo do que aquele que consigo contar(matemática isn’t really my thing), desde esse dia o fantasma daquilo que eu quero fazer não me larga, não para de me perseguir.

Quero escrever.

Olá velho amigo! Tu por aqui?

Era UMA vez...